Duas zonas de floresta danificadas podem ocupar a mesma área num mapa e representar perdas muito diferentes. Tudo depende também da quantidade de matéria vegetal existente antes do evento. Um estudo publicado a 5 de agosto na Nature Geoscience analisa esta diferença à escala europeia, com base em dados de satélite relativos ao período de 1985-2023.
Medir o que desaparece, não apenas onde
A ESA explica que os investigadores cruzaram mapas anuais de perda de cobertura arbórea, provenientes dos arquivos Landsat, com um mapa de biomassa de 2019. A biomassa acima do solo corresponde aqui à matéria vegetal situada acima da superfície do solo, nomeadamente troncos, ramos e folhas.
A abordagem pretende complementar a medição das áreas afetadas. Uma mesma extensão não contém sempre a mesma quantidade de biomassa: a natureza e a estrutura do povoamento também contam. Para o leitor, isto significa que uma classificação baseada apenas nos hectares descreve somente uma parte das consequências de um evento.
Um total bruto, que não deve ser interpretado como perda líquida
O artigo científico estima em 6,5 mil milhões de toneladas, com uma incerteza indicada de 0,8 mil milhões, as perdas brutas de biomassa acima do solo associadas a perturbações graves e a cortes que substituem o povoamento durante o período estudado. Os autores especificam que este total não inclui os ganhos decorrentes da regeneração: não constitui, portanto, um balanço completo de carbono.
Esta distinção evita duas simplificações. O total acumulado não corresponde à quantidade de floresta que teria desaparecido definitivamente. Também não é um volume de dióxido de carbono que se possa tomar tal e qual como emissões para a atmosfera. Biomassa, carbono armazenado e CO₂ são grandezas diferentes.
Porque é que os danos recentes têm maior peso
A apresentação da ESA destaca o papel das secas, tempestades e dos insetos nas florestas da Europa Central, ricas em biomassa, sobretudo desde 2018. Indica que os cortes representam a maioria das perdas ao longo de todo o período, enquanto as perturbações naturais explicam a aceleração recente.
Por outras palavras, o peso de uma causa num total histórico acumulado e a sua contribuição para um aumento recente respondem a duas perguntas distintas. Confundi-las levaria a atribuir todo o fenómeno a um único fator.
Um método útil, com pontos cegos
Os autores assinalam as incertezas dos mapas de satélite. A estimativa exclui, nomeadamente, as perturbações de baixa intensidade e os desbastes. Também não permite deduzir diretamente o estado de uma parcela luxemburguesa: uma análise continental e um diagnóstico local não têm a mesma escala.
Para acompanhar as florestas, esta investigação convida, portanto, a observar vários indicadores em conjunto: área, quantidade de matéria vegetal, crescimento e natureza dos danos. Uma paisagem verdejante ou um mapa de áreas não basta para responder a todas estas perguntas. A utilidade dos dados está precisamente em tornar visíveis diferenças que, por si só, a paisagem não revela.
Fontes
- Kowalski e colegas: Accelerating biomass loss from forest disturbances across Europe, Nature Geoscience, 5 de agosto de 2026.
- Agência Espacial Europeia: apresentação da investigação, 5 de agosto de 2026.
Fontes consultadas a 1 de outubro de 2026.






