Carlos Alcaraz e Ben Shelton vão defrontar-se na final do Masters de Paris, depois de duas meias-finais com desfechos opostos. O espanhol dominou Casper Ruud em dois sets sem ceder qualquer ponto de break; o americano perdeu primeiro o set inaugural, mas depois recuperou de um set e de um break frente a Luca Van Assche. Este contraste dá contexto aos seus percursos até ao último encontro, mas não basta para prever o que nele se passará.
Alcaraz controlou os pontos importantes
O resultado, 6-4, 6-4, poderia fazer pensar que o encontro decorreu de forma linear. Os pormenores do jogo contra Ruud ajudam a perceber o que significa: segundo a BBC, Alcaraz não cedeu qualquer ponto de break e venceu 86 % dos pontos disputados com o primeiro serviço. Um break em cada set foi suficiente para fazer a diferença.
Um break é um jogo ganho no serviço do adversário. Num set equilibrado, conseguir fazê-lo sem dar ao outro jogador a oportunidade de recuperar o serviço reduz bastante o número de situações em que o resultado pode mudar. Alcaraz também fechou cada um dos dois sets com o seu serviço, terminando o encontro com um ás.
A meia-final surgiu depois de um quarto de final mais renhido: Alcaraz tinha salvo dois match points contra Taylor Fritz. Mas o encontro com Ruud não se prolongou nesse registo. O percurso do campeão espanhol teve, portanto, um momento de perigo claro, seguido de uma vitória controlada que lhe permitiu chegar à sua primeira final em Paris.
Shelton teve de inverter o rumo da meia-final
O caminho de Shelton até à final exigiu uma resposta em três sets. Luca Van Assche venceu o primeiro set por 7-5. Shelton empatou com um 6-3 e depois impôs-se por 6-4 no set decisivo.
O momento mais desfavorável surgiu no terceiro set: Van Assche quebrou o serviço de Shelton e colocou-se a vencer por 3-1. Segundo a ESPN, o americano venceu depois os quatro jogos seguintes, até ficar a ganhar por 5-3. O break — o jogo ganho no serviço do adversário — alterou então a situação no set. Shelton acabou por fechar o set em 6-4.
Uma vitória em três sets não significa, por si só, que um jogador tenha jogado melhor ou pior ao longo de todo o encontro. Neste caso, o resultado mostra antes duas fases distintas: Van Assche assumiu a vantagem, mas Shelton recuperou o controlo no set decisivo. O francês, 47.º do mundo segundo o relato da RTL, abriu caminho até às meias-finais ao eliminar, entre outros, Lorenzo Musetti e Learner Tien. Ficou a uma vitória da sua primeira final de Masters.
Um confronto recente, não uma desforra garantida
A final anunciada será o primeiro encontro entre ambos desde os quartos de final do US Open, ganhos por Shelton. Esse resultado dá um contexto particular ao duelo de Paris, mas não determina o desfecho. Os percursos nas meias-finais também não permitem deduzir como cada um abordará as trocas de bolas ou os momentos importantes da final.
Os próprios jogadores falaram desse confronto anterior. Alcaraz reconheceu que Shelton o tinha derrotado num grande encontro em Nova Iorque e salientou o desafio que o seu serviço representa. Segundo a ESPN, falou em desforra e disse que queria fazer algumas coisas de maneira diferente nos momentos importantes. Estas declarações esclarecem a importância desportiva e pessoal que atribui ao encontro; não são um anúncio do resultado nem uma garantia de que o cenário se repita.
Para analisar o duelo, convém, pois, distinguir três elementos. O resultado de Nova Iorque é um confronto direto anterior. A meia-final de Alcaraz revela eficácia no serviço e ausência de pontos de break cedidos contra Ruud. A de Shelton demonstra a sua capacidade para recuperar num encontro depois de perder o primeiro set e de estar em desvantagem por um break no último. São indicadores dos seus percursos, não uma comparação completa das respetivas hipóteses.
O que a final irá realmente pôr à prova
A diferença entre as meias-finais não permite concluir que Alcaraz chegue necessariamente mais fresco, nem que Shelton tenha uma vantagem por ter tido de recuperar.
O ponto de referência mais concreto é, portanto, o confronto entre os dois: um jogador que terminou a meia-final sem dar a Ruud qualquer ponto de break, frente a um adversário que inverteu uma situação comprometida contra Van Assche. Junta-se a isso o último confronto direto entre ambos, ganho por Shelton no US Open. A final terá de decidir estes fatores em campo; antes de se realizar, nenhum deles basta para apontar com certeza um favorito.
Fontes:
- Alcaraz sets up Paris Masters final clash with Shelton — RTL
- Paris Masters: Carlos Alcaraz sets up Ben Shelton rematch by beating Casper Ruud to reach final — BBC Sport
- Carlos Alcaraz looking for 'revenge' against Ben Shelton in Paris Masters final — ESPN
Carlos Alcaraz no Open da Argentina, a 15 de fevereiro de 2024. Fotografia de arquivo.
Fotografia: OMAR.ERRE — Wikimedia Commons — CC BY 4.0.






