A SGBC quer fazer funcionar cartuchos Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance num televisor, com saída HDMI e definições de imagem. Mas a consola de Thomas Sanfourche ainda está em desenvolvimento: a compatibilidade, as funcionalidades finais e o preço continuam por confirmar. Para já, é um projeto a acompanhar, não um aparelho disponível para compra.
Uma consola de sala para três gerações de cartuchos
O princípio é simples de perceber: inserir um cartucho original na SGBC e jogar num televisor ou monitor. O projeto destina-se a jogos das três gerações portáteis da Nintendo, da Game Boy à Game Boy Advance. Uma saída HDMI a 1080p deverá permitir apresentá-los num ecrã moderno.
A SGBC faz lembrar a Super Game Boy, um acessório que permitia jogar títulos Game Boy numa Super Nintendo, ou o Game Boy Player, destinado à GameCube. A diferença anunciada é que seria autónoma: não é necessário possuir uma dessas consolas para fazer funcionar os cartuchos. A ideia é voltar a jogar com os próprios cartuchos sem ter de instalar uma consola de sala da Nintendo e o respetivo acessório.
FPGA: reproduzir o hardware sem prometer fidelidade perfeita
A SGBC recorre a um FPGA, um componente cujos circuitos lógicos podem ser configurados para reproduzir o funcionamento de determinado hardware. Esta abordagem difere da emulação executada apenas por software num aparelho de uso geral. Neste caso, é apresentada como forma de fazer os jogos funcionar a partir dos cartuchos, mas a escolha de um FPGA não basta, por si só, para garantir que todos os jogos funcionarão na perfeição.
Esta distinção é importante num projeto que ainda está em fase de validação. O site oficial indica que a compatibilidade dos jogos e o suporte para o cabo Link ainda têm de ser verificados. Nas informações disponíveis, não apresenta uma lista exaustiva dos títulos testados nem resultados comparativos que permitam avaliar a fidelidade da reprodução. A promessa técnica aponta, portanto, uma direção para o projeto, mas ainda não constitui um balanço da experiência de utilização.
Imagem, comandos e funcionalidades anunciadas
Para adaptar a imagem aos ecrãs atuais, a SGBC prevê um redimensionamento por números inteiros: cada píxel é ampliado por um fator inteiro, de modo a manter contornos nítidos e as proporções do jogo. São também anunciados vários filtros, incluindo uma imagem em tons de verde que evoca a Game Boy original, uma grelha de píxeis e linhas inspiradas nos televisores de tubo catódico. O seu aspeto pode variar consoante o ecrã utilizado, esclarece o site do projeto.
A consola deverá também aceitar um comando Super Nintendo. O menu no ecrã permitiria ajustar a imagem e a velocidade, incluindo um modo acelerado além da velocidade normal. Estas opções destinam-se a diferentes utilizações: recuperar um comando familiar, escolher a apresentação da imagem ou avançar mais depressa em certas partes do jogo.
Uma porta Link deverá permitir ligar uma consola portátil compatível para trocas ou jogos multijogador nos títulos que suportem estas funções. Este aspeto depende tanto do hardware como do cabo adequado e da compatibilidade do jogo em questão. Por isso, o anúncio não deve ser entendido como garantia de que todas as trocas funcionarão com todos os jogos e todas as consolas.
Cartuchos e ficheiros digitais: uma funcionalidade a utilizar com discernimento
A SGBC prevê copiar o conteúdo de um cartucho para um cartão microSD e, em seguida, executar uma biblioteca de jogos a partir desse cartão. Este também serviria para instalar atualizações do firmware, o software interno da consola. O projeto reúne, assim, duas utilizações: jogar com o cartucho inserido e, se a funcionalidade for concluída conforme anunciado, criar uma cópia digital de jogos da própria coleção.
Esta capacidade técnica não resolve, por si só, as questões de direitos relacionadas com as cópias ou a sua utilização. O anúncio do fabricante não deve ser interpretado como uma autorização geral para copiar ou descarregar jogos. Para o leitor, importa também saber que operações serão efetivamente suportadas, em que condições e com que atualizações.
O que esperar antes de decidir
A SGBC ainda não está à venda e as informações consultadas não indicam qualquer data de lançamento. A Clubic aponta para um preço que deverá rondar os 150 euros, mas trata-se de uma estimativa divulgada, não de um preço de venda confirmado. O site oficial continua a apresentar a consola como estando em desenvolvimento e indica que algumas funcionalidades ainda têm de ser validadas.
Para os colecionadores que querem voltar a jogar com os seus cartuchos num ecrã grande, o projeto reúne várias funcionalidades pertinentes: ligação HDMI, compatibilidade anunciada com três gerações, escolha de filtros, comando Super Nintendo e porta Link. A decisão de compra terá de esperar por informações mais concretas: preço final, disponibilidade, lista de jogos compatíveis e validação das funcionalidades anunciadas. Nesta fase, a SGBC é sobretudo uma proposta técnica cujo interesse dependerá da qualidade da sua conclusão.
Referências
- «Este francês quer voltar a levar os nossos cartuchos Game Boy para o televisor, com uma consola criada por si» — Clubic
- «SGBC | FPGA Console for Game Boy, Game Boy Color & GBA» — site oficial da SGBC
Cartuchos Game Boy, Game Boy Color e Game Boy Advance. Fotografia ilustrativa, distinta do protótipo SGBC.
Fotografia: Derrick Rossignol — Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.






